sexta-feira, 22 de agosto de 2008

| Adoração no Contexto da Reforma |

Adoração no Contexto da Reforma

Seria inútil analisarmos qualquer assunto hoje a não ser na luz de uma nova reforma. Essa frase começa a se ouvir com cada vez mais freqüência, e pelos mais diversos segmentos da igreja. Há um consenso crescente de que Deus está para fazer algo novo na terra, e precisamos estar atentos para isso. Jesus mesmo alertou que sem odres novos, o vinho novo não teria proveito algum.Portanto, antes de entrarmos no assunto de adoração em si, quero tecer algumas reflexões do que poderia ser a Nova Reforma. Preciso deixar bem claro que não tenho a pretensão de saber o que é, nem de estar vivendo-a, mas como muitos outros, há uma crescente fome no meu coração para estar envolvido no que Deus está fazendo em nossos dias.1 João 5:8 diz que tem três coisas que dão testemunho: O Espírito, a água e o sangue. Podemos usar essas três testemunhas para fazer uma ligação com as duas reformas que a igreja já experimentou. A primeira reforma - da Palavra - é representado pela testemunha da água. A segunda reforma - a restauração do batismo no Espírito - é representado pela testemunha do Espírito. As duas reformas foram muito importantes na história da igreja, mas ainda não foram suficientes para trazerem à existência a noiva gloriosa de Efésios e Apocalipse com a qual nosso Senhor irá se casar. A Igreja Protestante que nasceu após a primeira reforma era descendente da Igreja Católica, e manteve o mesmo sistema de clero e leigos - mediador e povo. Só que não conseguiu manter a unidade da sua mãe, e uma das principais marcas do protestantismo são suas intermináveis divisões.O Pentecostalismo e suas ramificações não sanou esse problema, muito pelo contrário, piorou e muito. Além da proliferação das divisões - onde hoje temos uma ‘igreja' em cada esquina - outros fatores que entraram foram heresias, escândalos, pecados e espíritos estranhos. A noiva perfeita não está mais visível hoje, do que (perdoem-me se isso soar radical) no tempo de Lutero. É verdade que duas ferramentas poderosíssimas foram restauradas à Igreja, mas temos práticas hoje pelo menos tão questionáveis quanto à venda de indulgências do tempo de Lutero. Tudo isso nos mostra que sem a restauração da terceira testemunha (o sangue) a igreja nunca será preparada para a volta de Jesus.Qualquer análise de adoração terá que ser feito nesse contexto. É importante sabermos de onde viemos, onde estamos, e para onde vamos.O atual movimento "praise and worship" (louvor e adoração) tem seu berço na grande onda do Pentecostalismo. Começando nos anos 50, com a Chuva Serôdia, que trouxe palmas, mãos levantadas e corinhos no lugar dos hinos tradicionais, cresceu, desenvolveu-se e hoje é um ministério altamente sofisticado, digno de nossos templos grandes e luxuosos, com nossos pastores, bispos e apóstolos. Temos corais, orquestras e bandas e cantores populares. Temos seminários bem organizados, com “slide shows” e “workshops”, onde podemos aprender tudo sobre como adorar ao Senhor. No final dos anos 90 e no começo desse novo século, tem havido uma tentativa de trazer uma renovação nessa área. Estilos e métodos novos tem aparecido. Porém, o que precisamos entender é que a igreja ainda está vivendo a segunda reforma, a segunda grande onda (com muitas ondas menores) que varreu a igreja no século passado. Não podemos esperar que algo novo aconteça só nessa área. Qualquer tentativa de inovar na área de adoração (ou em qualquer outra área) acabará em frustração, modernismo, fanatismo ou exageros perigosos da alma, se não vier no contexto de uma nova reforma. Precisamos ouvir o que o Espírito está falando na igreja, e agir de acordo. Voltemos agora às três testemunhas. O entendimento da terceira testemunha - o sangue - e o que precisamos fazer para torná-la atuante em nossos dias, deve ser o centro de nossas atenções. Sem ela a igreja jamais será a noiva com a qual Jesus se casará. Se analisarmos a igreja como um todo hoje, constataremos que ainda vivemos a velha aliança. Existe uma lacuna entre nós e Deus. Estamos mais em Romanos 7 do que em Romanos 8. Temos mediadores, homens dedicados e sinceros, que procuram trazer sempre uma palavra de Deus que nós, como o povo de Israel, prometemos obedecer. Fazemos o melhor possível para agradar a Deus. Infelizmente, O MELHOR POSSÍVEL NÃO É SUFICIENTE! Se quisermos uma igreja reformada, precisaremos de homens e mulheres reformados. 1 Pedro 2 fala de pedras vivas, sacerdócio real, que proclamará as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Em 1 Coríntios 15 fala de apenas dois homens, o primeiro Adão e o último Adão. Um foi alma vivente; o outro, espírito vivificante. Jesus falou que se um cego guiar outro cego, os dois cairão no barranco. O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem instruído será como o seu mestre (Lucas 6:40). E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial (1 Co 15:49). Se nós não formos como Jesus é, somos apenas almas viventes, cegos guiando outros cegos, e estaremos sempre caindo no barranco. Precisamos trazer em nós a imagem do celestial, proclamando as virtudes do que nos chamou. Como isso acontece? Jesus disse que se o grão de trigo, caindo em terra, não morrer, fica ele só. As igrejas estão cheias de grãos de trigo hoje - almas viventes. Precisamos deixar a casca de trigo romper, para que nos tornemos espíritos vivificantes, e assim produzir muito fruto. No mesmo capítulo 12 de João, Jesus fala, E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. A única forma de atrair os outros é Jesus ser levantado em nossas vidas. Isso é o testemunho do sangue: a casca do grão de trigo se rompendo, a nossa vida natural morrendo, e Jesus sendo levantado. Quando a casca se rompe, e os corações são circuncidados através da lei escrito no coração, a lacuna se fecha. Não há mais separação entre nós e o que pregamos. Jesus falou, O reino de Deus está dentro de vós. O reino de Deus não vem com aparência exterior. O reino de Deus não é palavra - é poder para vencer a velha natureza. A palavra se encarna em nosso interior. Nós nos tornamos a palavra. Uma das grandes marcas deste último mover foram homens com tremenda unção e palavras profundas. Um após um foram caindo. Muitos dos grandes homens de Deus tiveram problemas sérios de caráter. A característica da nova onda, da nova reforma, será corações reformados. Viveremos o que pregamos, e pregaremos o que vivemos. E não poderíamos deixar de ressaltar que uma das maiores marcas do testemunho do sangue será quebrantamento e submissão mútuos, para que esse corpo, não feito por mãos humanas, mas por pedras vivas, apareça na terra. Poderíamos discorrer longamente sobre o testemunho do sangue e como isso fará com que a Nova Aliança seja realidade em nossas vidas, porque não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao SENHOR, porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o SENHOR (Je 31:34). Mas vamos voltar ao assunto de adoração. Jesus falou em João 4 que o Pai procura os verdadeiros adoradores, aqueles que O adoram em espírito e em verdade. Lá no começo da Bíblia, quando Abel e Caim trouxeram seus sacrifícios, Deus já nos ensinou que a única oferta que Ele aceita é o Cordeiro, seu Filho. Deus não aceita nada da terra. Não adianta você se esforçar, e tentar trazer a melhor adoração que você consegue oferecer, porque o sacrifício tem que ser perfeito. Jesus é o único sacrifício perfeito, agradável ao Pai. Mas o que é adorar em espírito e em verdade? O que é oferecer Cristo ao Pai? A igreja hoje vive na base da Velha Aliança. Vive Romanos 7. Tentamos obedecer a Deus, mas ainda bem que nós não conseguimos, temos um Cordeiro cujo sangue nos limpa e nos purifica. E assim nos ajuntamos em nossos cultos e reuniões para cantar sobre o sacrifício perfeito, e agradecermos a Deus pelo sangue maravilhoso de Jesus. Isso é muito bom, mas estamos perdendo o sentido da Nova Aliança. Ele veio mudar o coração. Ele veio escrever a lei no interior. Ele veio fazer-nos andar em novidade de vida. Ele veio preparar obras para que andássemos nelas. Andar em novidade de vida. Andar no Espírito. O único esforço que devemos fazer é de entrar no descanso, e quem entra no descanso de Deus, descansa de suas próprias obras (Hebreus 4:10). Adoração em espírito e em verdade é uma adoração que flui de um coração transformado, não de um coração que tenta atravessar a lacuna que existe entre nós e Deus. É um coração que entra na santo lugar, pelo novo e vivo caminho, e permite que Deus o desnude para escrever nele as Suas leis. Sai de lá para andar em novidade de vida, oferecendo o corpo como sacrifício vivo, e tendo a mente renovada para experimentar a boa, perfeita e agradável vontade do Pai. Esse é o fruto do Espírito que deve ser trazido como a única oferta agradável ao Pai - Cristo em nós. Quanto mais de Cristo houver em nós, mais a nossa adoração será agradável ao Pai. Como igreja, é hora de nos arrependermos dos sacrifícios imperfeitos, cheio de defeitos, que temos trazido na presença de Deus. Ele pediu para afastar de Seus ouvidos o estrépito de nossos cânticos (Amós 5.23) , e nos conclama a uma assembléia solene, onde devemos rasgar os nosso corações e não as nossas vestes. Se assim o fizermos, Ele promete restaurar o trigo (palavra), o azeite (espírito) e o vinho (sangue), conforme lemos em Joel 2. Precisamos parar de adorar como almas viventes - sem rasgar os corações, sem deixar o grão de trigo morrer, sem deixar que a vida de Cristo seja forjada em nós. Deus quer restaurar a criação que geme e clama por libertação. Deus quer curar almas feridas e doentes. Mas o som que curará a terra fluirá do nosso interior. Virá das profundezas de corações quebrantadas, que sangram na presença de Deus. Nosso fruto não serve. Nada que inventarmos ou produzirmos fará diferença nenhuma na terra. Se despertarmos o Espírito para clamar em nós com gemidos inexprimíveis, então um novo cântico se ouvirá na terra. Jesus cantará no meio da igreja, e usará as nossa vidas, nossas bocas, todo nosso ser para libertar e restaurar tudo ao nosso redor. Praticaremos as obras que Ele preparou de antemão para cada um de nós, e os ministérios não serão mais mediadores, mas farão aquilo para o qual foram chamados: aperfeiçoando os santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo (Efésios 4.12,13). Sacerdotes, ministros do altar, pais, ouçamos a voz do Senhor. Enquanto não entrarmos, nós mesmos, na presença de Deus, somos cegos guiando outros cegos. Enquanto o nosso corações não forem quebrantados, rasgados, desnudados na presença dEle, seremos apenas almas viventes, e permaneceremos sós. Quer ganhar seus filhos? Pare de empurrar o que você acha certo pela garganta deles abaixo. Levante a Cristo, e todos serão atraídos. Quer uma igreja restaurada, reformada, neo-testamentária? Pare de buscar métodos novos, conceitos novos, formas novas de organização, e busque a reforma do seu próprio coração. Adore a Deus em espírito e em verdade, e de seu interior fluirão rios de água viva. Para isso, a casca precisa romper. O preço a pagar é a total substituição de nossos planos, nossas idéias, nossos ministérios pelos pensamentos de nosso Senhor. É conhecer a Deus e permitir que Ele escreva as suas leis em nossos corações. Nesses dias, há uma multidão cada vez maior se aglomerando perto do Santo dos santos. O véu já foi rasgado, mas relutamos em entrar. Uns chegam mais perto que outros, e há arrepios, choros, manifestações de vários tipos. A alma ainda está muito viva no lado de cá do véu. Mas Deus nos chama para entrar no Santíssimo, e conhecer a Deus face a face. Lá não haverá muito barulho. Como Isaías, clamaremos "Ai de mim". Como Daniel e João, nos prostraremos com o rosto em terra até que Ele nos toque e nos levante. Ele nos dará uma palavra e nos enviará para fazermos as obras preparadas de antemão para que andássemos nelas (Efésios 2.10). Queridos, ousemos tirar tempo para Deus. Ousemos entrar na presença de Deus, não apenas para sentir a presença dEle e sentir arrepios, mas para ouvirmos a voz dEle, e permitir que Ele circuncide os nossos corações. Só quando fizermos disso uma experiência constante e regular é que a casca de trigo se romperá, deixaremos de ser almas viventes, e o sangue fluirá no corpo, levando a Palavra e o Espírito para cada parte do corpo. Seremos constituídos em casa espiritual, sacerdócio santo, trazendo sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo (1 Pe 2.5) . Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o Anjo da Aliança, a quem vós desejais; eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos. Mas quem poderá suportar o dia da sua vinda? E quem poderá subsistir quando ele aparecer? Porque ele é como o fogo do ourives e como a potassa dos lavandeiros. Assentar-se-á como derretedor e purificador de prata; purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata; eles trarão ao SENHOR justas ofertas. Então, a oferta de Judá e de Jerusalém será agradável ao SENHOR, como nos dias antigos e como nos primeiros anos (Malaquias 3:1-4). Se buscarmos ao Senhor, Ele virá e nos purificará até que ofereçamos justas ofertas. A justa oferta é Cristo em nós. O propósito eterno de Deus é fazer todas as coisas convergir em Cristo (Efésios 1:10). A igreja gloriosa, que mostrará a multiforme sabedoria de Deus aos principados e potestades, agora, será formada por pedras vivas, pedras purificadas pelo fogo do ourives, pedras em que tudo removível já foi tirado (Hebreus 12:27). Para que todas as coisas venham a convergir em Cristo, precisamos das três testemunhas. O Espírito, pelo qual nascemos de novo, revela a Palavra de Deus aos nossos corações, como espada viva, que penetra, divide e revela as mais secretas intenções do coração, e com essa operação da Palavra viva (Palavra mais Espírito), nossa casca se romperá, e o sangue fluirá, de espírito vivificante a espírito vivificante, formando pedras vivas, sacerdócio real, edificando casa espiritual e trazendo ofertas agradáveis por meio de Jesus Cristo. O Pai olhará e dirá, “Filho, essa noiva é digna de se casar com Você, pois tem a mesma natureza.”Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade (João 4.23,24).Autor: Peter Walker

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