sexta-feira, 22 de agosto de 2008

| A Glória | Por Horatius Bonar


A Glória Por Horatius Bonar

A glória é nossa herança. O melhor, o mais rico, o mais esplendoroso e o mais belo de tudo que está em Deus, do melhor e rico, esplêndido e belo, deve ser nosso. A glória que enche acima o céu, a glória que se estende em baixo sobre a terra, deve ser nossa. Mas enquanto a glória do terrenal deve ser nossa, também em um sentido verdadeiro a glória do celestial deve ser nossa. Pela fé já tomamos nosso lugar no meio das coisas celestiais, “e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez assentar nas regiões celestiais em Cristo Jesus ” (Ef 2:6). Deste modo já reivindicamos o celestial como nossa posse; e tendo ressuscitado com Cristo, “pensamos nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra” (Cl 3:2). O domínio da grande extensão deve ser nosso; com todas as variadas sombras e tipos de glórias devemos estar rodeados, órbita além de órbita estende-se sobre o universo; mas é a glória celestial que é tão verdadeiramente nossa, como redimidos e ressuscitados; e no meio daquela glória celestial deve estar a mansão da família, a morada e palácio da igreja, nosso verdadeiro lar pela eternidade.
Tudo que nos espera é glorioso. Há uma herança e é “uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós” (I Pe 1:4). Há um descanso, um repouso sabático em reserva para nós (Hb 4:9). O reino que reivindicamos é um reino glorioso. A coroa que estamos para usar é uma coroa gloriosa. A cidade da nossa habitação é uma cidade gloriosa. As vestes que devemos nos vestir são vestes “para glória e ornamento”. Nossos corpos devem ser corpos gloriosos, formados conforme a semelhança do “corpo glorioso” de Cristo (Fp 3:21). Nosso convívio deve ser aquele do glorificado. Nossas canções devem ser canções de glória. E da região na qual estamos é dito, “a glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada” (Ap 21:23).
A esperança desta glória nos enche de alegria. De debaixo do manto da noite contemplamos estas cenas de bem-aventuranças prometidas, e somos confortados. Nossos pensamentos sombrios são suavizados, mesmo quando não são inteiramente luminosos. Pois o dia está próximo e a alegria está perto e a batalha está terminando e as lágrimas serão enxugadas e a vergonha desaparecerá na glória e “seremos apresentados irrepreensíveis, com alegria, perante a Sua glória”.
Então o fruto da paciência e da fé aparecerá e a esperança, que por tanto tempo temos agarrado, não nos envergonhará. Então triunfaremos e glorificaremos. Então seremos vingados da morte da dor e da enfermidade. Então toda ferida será mais do que curada. O Egito não nos escravizará mais. A Babilônia não nos levará mais cativos. O Mar Vermelho está cruzado, o deserto é passado, o Jordão ficou para trás de nós e estamos em Jerusalém! Não há mais maldição, não há mais noite. O tabernáculo de Deus está conosco; naquele tabernáculo Ele habita, e nós habitamos com Ele.
É “o Deus de toda graça” quem “nos chamou para sua glória eterna por Jesus Cristo”. É, “quando aparecer o Sumo Pastor, que alcançaremos a incorruptível coroa da glória”, e “depois de havermos sofrido um pouco”, e pelos sofrimentos termos sido “aperfeiçoados, confirmados, fortificados e fortalecidos” (I Pe 5:4,10). O sofrimento não é desperdício para nós, ele nos prepara para a glória. E a esperança daquela glória, assim como o conhecimento da disciplina pela qual estamos passando e do processo de preparação contínua em nós, nos sustenta; nos ensina para a “glória na tribulação”. Isto é conforto, isto é felicidade. Estranho aos olhos do mundo, mas não aos nossos. Tudo o que o mundo tem é nada mais que uma pobre imitação de felicidade e consolação; a nossa é real, mesmo agora; quanto mais futuramente! Nem um breve atraso e um dolorido conflito diminuirão o peso da vinda da glória; eles se juntarão a ela; e vale a pena esperar por ela, vale a pena sofrer por ela, vale a pena lutar por ela. É tão certa a sua vinda e tão abençoada quando vier.
“A maior parte da glória,” disse Howe, “ainda está em reserva; nós ainda não somos tão elevados como os mais elevados céus.” Tudo isto está pairando sobre nós, nos convidando, nos inspirando, nos libertando das coisas presentes, para que a dor da perda, ou enfermidade, ou privação, venha sobre nós mais suavemente e vise nos fazer menos presunçosos e rápidos, mais inteiramente cuidadosos.
“Que eles vejam a minha glória,” o Senhor rogou pelos seus. Esta é a essência de tudo. Haverá outras glórias, como temos visto; mas esta é a essência de todas. É a mais genuína que certamente “o Senhor da glória” poderia pedir para eles. Pedindo isso Ele não pediria nada mais; Ele não poderia ir mais alem. E a nossa resposta a isso é, “Deixa me ver sua glória;” sim, e a feliz confiança na qual descansamos é esta: “Quanto a mim, contemplarei a Tua face na justiça; eu me satisfarei da Tua semelhança quando acordar.” Esta é a nossa ambição. Ambição abençoada e divina na qual não há vaidade, nem presunção nem abuso! Nada mais nada menos pode satisfazer do que a mais direta e mais completa visão da glória encarnada. O auto-esvaziamento diante da Infinita Majestade, e a consciência de ser completamente indigno até mesmo de uma posição de servo, contudo sentimos como que atraídos irresistivelmente para o mais íntimo círculo e centro de satisfação com nada mais nada menos do que a plenitude dEle que cumpre tudo em todos.
“E eu lhes dei a glória que a mim me deste.” (Jo 17:22). Nada mais nada menos do que isso, tanto em qualidade como em quantidade, é a glória em reserva, de acordo com a promessa do Senhor. A glória dada a Ele, Ele transferiu a nós! “Fomos feitos participantes de Cristo,” e tudo o que Ele tem é nosso. Ele disse, “Eu lhes dei”, como se isso já fosse nosso pela Sua dádiva, tanto quanto precisamente era dEle pela dádiva do Pai. Ele a recebe do Pai somente com o propósito de imediatamente cedê-la a nós! Para que mesmo aqui possamos dizer, ‘Esta glória já é minha, e devo viver como alguém a quem pertence tal infinita glória'. “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória.” (II Co 3:18). Afligir-se ou desanimar é uma triste inconsistência em alguém que pode dizer, mesmo sob as mais dolorosas pressões, “tenho para mim que as aflições deste tempo presente não se podem comparar com a glória que em mim há de ser revelada.” Olhe para elas em si mesmas e elas as vezes parecem mesmo muito opressivas; coloque-as lado a lado com a glória eterna, e elas desaparecem.
Esta glória contém liberdade. Ela liberta aqueles que a possuem. A corrupção trouxe com ela cadeias e servidão; a glória traz com ela liberdade divina! Não é a liberdade que traz a glória; é a glória que traz a liberdade. Abençoada liberdade! Libertação de toda escravidão! Não somente da escravidão da corrupção, pecado e morte, mas da escravidão das aflições. Pois não é a aflição uma escravidão? Não são as suas cadeias severas e pesadas? Desta escravidão da tribulação a glória nos fez eternamente livres. É o último grilhão, salvo o do túmulo, que é tirado de nossos membros feridos, mas quando ele é quebrado, é quebrado para sempre! Oh esperada consumação! Oh jubilosa esperança! Oh bem-vindo dia, quando o Portador desta glória chegar e a voz for ouvida do céu, “Eis que faço novas todas as coisas”.
A peregrinação da igreja está quase concluída. Agora ela não é nada mais que uma peregrina visto que sua conclusão final se aproxima. O último estágio da sua jornada é o mais melancólico para ela. Seu caminho está posto entre as densas trevas que o mundo ainda tem experimentado. Parece como se fosse somente pelo vacilante inflamar da conflagração que pudéssemos agora conformar nosso caminho. É o soar dos reinos falidos que está nos conduzindo para frente. São os fragmentos dos tronos quebrados que caem sobre nosso caminho que nos asseguram que nossa rota é a única verdadeira e que seu fim está próximo, aquele fim, aquela manhã com suas canções; e naquela manhã, um reino; e naquele reino, a glória; e naquela glória, o descanso eterno, o sábado da eternidade.
Do livro “The Morning of Joy” (A Manhã de Alegria).

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